Monthly Archives: Março 2012

Pai apresenta queixa contra professora que ensina canção com “viva o Benfica”

Engraçado como uma notícia destas  provoca logo uma reacção em cadeia de comentários clubísticos  e preconceituosos.

Li com cuidado os vários comentários destas notícias nos jornais online e em blogs, sempre a pensar que realmente teria sido uma atitude demasiado radical por parte do pai até que encontrei o seguinte comentário que referia na íntegra a queixa do pai:

Ocorrência no JI de Santo Isidoro – Agrupamento de Escolas António Bento Franco (Ericeira) Exmo. Senhor, Considerando que a Lei de Bases do Sistema Educativo estabelece um conjunto de princípios gerais, reconhecendo o direito à liberdade de aprender e ensinar, com tolerância para com as escolhas possíveis, não podendo o Estado atribuir-se o direito de programar a educação e a cultura segundo quaisquer diretrizes filosóficas, estéticas, políticas, ideológicas ou religiosas; Não posso deixar de reportar, enquanto encarregado de educação, uma ocorrência no JI de Santo Isidoro, pertencente ao Agrupamento de Escolas António Bento Franco – Ericeira, solicitando que essa Direção Regional de Educação apure a verdade dos factos e atue, com todos os meios ao seu alcance, no sentido de responsabilizar os intervenientes. Assim, desde o início do presente ano letivo, diária e repetidamente, as crianças do referido estabelecimento de educação, entoam a cantiga popular “atirei o pau ao gato”, adicionando, no final, um slogan clubístico que consiste em “batata frita, viva o Benfica.” Perante isto, e em termos práticos, a minha Educanda, que simpatiza com o Porto, sente-se inibida e acossada, rejeitando até ir à escola pois os colegas, no recreio, chegavam a empurra-la por não ser simpatizante do mesmo clube. Quando tentei explicar as razões pelas quais não se deveria fomentar este tipo de comportamentos num Jardim de Infância, a Sra. Educadora apelidou-me de “fanático” e convidou-me a tirar a minha Educanda daquilo a que chamou a “sua escola,” tendo argumentado que “a maioria é benfiquista”; “a música é assim” e “em todas as escolas em Mafra cantam a música desta forma.” A partir daquele momento, as crianças foram proibidas de cantar a referida cantiga, na sua totalidade, em vez de passarem a cantá-la devidamente. Mais, a Sra. Educadora referiu na sala de atividades que ‘não cantamos porque o pai da Nicole não deixa’Nestes termos, e face à gravidade da ocorrência em si e da forma como a Sra. Educadora e a Direção do Agrupamento de Escolas diligenciaram no sentido, não da sua resolução mas da agudização da mesma, reveladora de um sentimento de impunidade e apropriação de espaço público, solicito a V. Exa. que providencie as diligências necessárias ao apuramento de responsabilidades, a fim de que situações semelhantes não se repitam Sr. Diretor, concordará comigo que se deve promover o desenvolvimento do espírito democrático e pluralista, respeitador dos outros e das suas ideias, aberto ao diálogo e à livre troca de opiniões. O que se pretende quando se promove a intolerância, o desrespeito pelas instituições e pela livre opinião? Estas práticas são um incentivo ao bullying, algo que todos pretendemos abolir dos nossos estabelecimentos de ensino. Insatisfeito com tal argumentação, dirigi-me à sede do Agrupamento de Escolas para, em conjunto com a Direção, marcar uma reunião com os restantes Encarregados de Educação e a Sra. Educadora. Nesta sequência, a Sra. Subdiretora do Agrupamento de Escolas dirigiu-se ao JI de Santo Isidoro para me pressionar a aceitar e calar, fazendo crer de que quem estava mal era eu e, sem sentido ou justificação, foi inclusivamente chamada a Guarda Nacional Republicana (GNR), como forma de intimidação”.

Depois disto e a ser verdade tudo o que foi descrito nesta queixa passamos à sua análise:

  • choca-me a atitude da educadora, da escola, do agrupamento ao lidar com esta situação;
  • choca-me que a educadora tenha sido pouco profissional e tenha ainda conseguido agravar a situação afirmando “não cantamos a música porque o Pai da Nicole não deixa“;
  • choca-me não se ter pensado em como a criança se sentiu quando colocada de parte não só pelas outras crianças como pela educadora a quem também cabe o papel de cuidar, proteger e transmitir segurança;
  • choca-me que a educadora se tenha sentido a dona da razão e julgado o pai por ser de um clube que não o seu tendo posto em causa o bem-estar da criança e que não se tenha apercebido do mal que a sua postura estava a fazer, não só à criança em causa como às outras crianças que não estavam a ter o exemplo e os valores correctos a serem transmitidos;
  • choca-me que tendo em conta os problemas que a educação enfrenta (que os nossos jovens sejam cada vez mais problemáticos, que não mostrem respeito pela instituição de ensino que frequentam e pelos profissionais de educação que os acompanham ao longo de todo o seu percurso escolar) as pessoas envolvidas e particularmente esta educadora não tenham tido o discernimento para reflectirem sobre o verdadeiro problema e causa desta queixa. Um comportamento e uma atitude como estes que foram tomados não contribuem em nada para formar crianças, jovens, futuros adultos com os devidos valores;
  • por fim, choca-me que este grave problema só se tenha manifestado devido à insignificância de um assunto que não merece perda de tempo como o futebol.

Após ver a extensão e gravidade do problema concluí o quanto somos rápidos a julgar por uma notícia superficial que claramente remete para uma ideia errada e como uma notícia de tal gravidade é banalizada e remetida a guerra de clubes, de quem é o melhor e ganha mais taças.

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Mais respeito, eu sou criança!

E hoje que é o dia mundial da poesia deixamos aqui um poema inspirador…

Mais respeito, eu sou criança! 

Prestem atenção no que digo,

pois eu não falo por mal:

os muitos adultos que me perdoem,

mas infância é sensacional!

Vocês já esqueceram, eu sei.

Por isso eu vou-lhes lembrar:

pra que ver por cima do muro,

se é mais gostoso escalar?

Pra que perder tempo engordando,

Se é mais gostoso brincar?

Pra que fazer cara tão séria,

Se é mais gostoso sonhar?

Se vocês olham pra gente,

é terra o que vêem por trás.

Pra nós, atrás de vocês,

há céu, há muito, muito mais!

Quando julgarem o que eu faço,

olhem seus próprios narizes:

lá no seu tempo de infância,

Será que não foram felizes?

Mas, se tudo o que fizeram

já fugiu de sua lembrança,

fiquem sabendo o que eu quero:

Mais respeito,eu sou criança!”

(poema de Pedro Bandeira)

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Ensinar é…

” Ensinar não é transferir conhecimento, mas criar as possibilidades para a sua própria produção ou a sua construção.”
(Paulo Freire)

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Modelos pedagógicos: Movimento da Escola Moderna – MEM

Já aqui falamos dos modelos pedagógicos e a sua importância na prática com as crianças. Começamos pelo modelo pedagógico High Scope  e hoje acrescentamos um novo modelo à nossa lista: MEM (Movimento da Escola Moderna) e nada melhor do que mostrar alguns pontos principais deste modelo:

– baseia-se e proporciona uma prática democrática ;

-a gestão da sala é apoiada pelos registos e avaliação, tais como: mapa de presenças, mapa de actividades, mapa de tarefas, comunicações, plano semanal, lista de projectos e o diário de parede;

– o espaço educativo está organizado por zonas de trabalho de modo a permitir que as crianças realizem actividades previamente escolhidas e por uma área polivalente para trabalho colectivo;

– os materiais encontram-se ao alcance e à disposição das crianças;

– a aprendizagem curricular é feita essencialmente através de Projectos  do interesse das crianças que podem ser de produção: “queremos fazer”, de pesquisa: “queremos saber” ou de intervenção: “queremos mudar”;

– é importante a partilha de saberes e de produções culturais das crianças através de “Comunicações” como uma validação social do trabalho de produção e de aprendizagem, ou seja, sempre que um projecto termina existe um momento de comunicação ao grande grupo, e de seguida, um momento de reflexão de grande grupo sobre “o que é que nós aprendemos com este projecto?”.

Estes são alguns dos tópicos principais que definem o modelo pedagógico MEM. Este é um modelo que pode ser usado por si só mas geralmente é usado em complemento com o modelo já referido High Scope. Cabe a cada educador/a entender o seu grupo de crianças e perceber qual o melhor modelo para esse grupo.

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Modelos pedagógicos: High Scope

Já aqui falamos dos modelos pedagógicos por isso hoje decidimos aprofundar mais este tema.

Os modelos pedagógicos orientam, guiam o/a educador/a a desenvolver a melhor forma de explorar as competências do seu grupo de crianças, sempre de forma individualizada e personalizada pois as necessidades de uma criança podem não ser as mesmas de outra. Um modelo pedagógico não tem de ser seguido à risca, não tem de ser rigorosamente aplicado, isto é, o/a educador/a pode optar apenas pelos critérios que melhor se adequam ao seu grupo, pode seleccionar critérios de vários modelos e criar o seu.

De entre os vários modelos pedagógicos existentes, hoje destacamos o HIGH SCOPE.

O High Scope é uma abordagem educativa que assenta essencialmente em cinco princípios básicos de aprendizagem:

  1. Aprendizagem pela acção: aprendizagem activa. A criança constrói o conhecimento que a ajuda a dar sentido ao mundo. Resolve problemas, cria estratégias, coloca questões, procura respostas. A criança toma a iniciativa nas suas acções. A aprendizagem pela acção tem por base as experiências-chave que fazem com que as crianças se envolvam em interacções criativas e permanentes com pessoas, materiais, outras crianças…
  2. Interacção adulto-criança: o adulto partilha o controlo com a criança, centra-se nas suas riquezas e talentos, apoia as suas brincadeiras utilizando estratégias de interacção. O adulto apoia as intervenções da criança com encorajamento e de acordo com uma abordagem de resolução de problemas e de conflitos. A aprendizagem pela acção depende das interacções positivas entre adulto-criança.
  3. Ambiente de aprendizagem: espaço físico. Deve ser agradável para a criança. Assenta em áreas, materiais e organização. O espaço físico deve dar à criança oportunidades permanentes para realizar escolhas e tomar decisões. As áreas devem apoiar o constante e comum interesse das crianças em actividades diversas como a construção e o faz-de-conta, entre outras. O espaço deve ter uma boa organização, os locais devem ter fácil acesso para as crianças, como prateleiras baixas, caixas transparentes, rótulos com desenhos e símbolos que as crianças entendam. As crianças devem poder encontrar, utilizar e arrumar os materiais sozinhas. Os materiais existentes devem adequar-se às necessidades, interesses e competências das crianças visto que condicionam a actividade das crianças e as suas aprendizagens.
  4. Rotina diária: deve ser consistente. Inclui o planear-fazer-rever, onde as crianças expressam as suas intenções, põem-nas em prática e reflectem sobre o que fizeram durante o tempo de brincadeira. O trabalho de pequeno grupo também faz parte da rotina diária de uma sala de jardim de infância. Este tempo de trabalho encoraja as crianças a explorar e a experimentar materiais novos ou familiares seleccionados pelos adultos com base nas suas observações diárias dos interesses das crianças, das experiências e dos acontecimentos locais. Também o trabalho de grande grupo faz parte da rotina, onde as crianças e os adultos iniciam actividades de música e movimento, de representações de histórias, de jogo cooperativo, de reflexões colectivas e de projectos. É com uma rotina diária consistente e que apoie a aprendizagem activa que as crianças constroem o sentido de comunidade. As crianças devem poder antecipar o que vão fazer a seguir. Deve incluir tempos específicos individuais e de grupo.
  5. Avaliação: observação/avaliação diária da criança baseada no trabalho de/em equipa. As crianças e os contextos são observadas e posteriormente avaliadas. Deve trabalhar-se em equipa para construir e apoiar o trabalho nos interesses e competências de cada criança.

Para melhor aprofundar este modelo pode sempre visitar este link que o ajudará aprofundar conhecimentos.

Segunda-feira…

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